Paweł Pawlikowski apresenta-nos um filme intenso e profundo que, tal como o nome indica, ocorre durante o período da Guerra Fria, mais precisamente entre a década de 50 e 60.
Desengane-se quem pense que é um filme só sobre política, é muito mais do que isso. Aborda a luz ao fundo do túnel, a ténue esperança de se ser alguém em tempos de subjugação de todas as liberdades na Polónia soviética. É então, sobre as feridas na alma de quem saiu de uma Guerra (2ª Mundial) e se meteu noutra (Fria). É sobre o efeito dessas feridas na vida de pessoas normais.
O filme relata a história de um amor impossível; ela, uma cantora em ascensão; ele, seu tutor, um pianista de renome. Perante o ambiente opressor no seu país, procuram o sucesso e a felicidade na fulgurosa Paris. Contudo, é aí que se apercebem que os golpes do passado, condicionam o presente, e descobrem a miséria humana de quem dá valor ao que não tem, mas que não cuida do que tem. Essa condicionante fá-los-à entrar numa espiral negativa, da qual, para sobreviverem, terão de contornar o poder político vigente e os lacaios desse regime. A redescoberta do amor e o uso da sua força para emergir no caos, é a derradeira missão a quem tudo foi roubado, menos a capacidade de sonhar.
Com interpretações densas de Joanna Kulig e Tomasz Kot, dois eminentes atores polacos, Zimna Wojna (ou Cold War) está, de facto, muito bem realizado. O preto e branco funciona na perfeição, uma vez que, nos teletransporta imediatamente para os anos 50. E, se no início do filme, o preto e branco, a língua falada (a que não estamos propriamente habituados) e a lentidão presente nesses instantes iniciais, nos pode levar a pensar que vamos ter um filme de bocejos, depressa percebemos que não passa de uma artimanha de Paweł Pawlikowski, que rapidamente consegue colocar ação, velocidade e intensidade na película. Com descrições visuais magnificas, podemos saber exatamente o que pensam e consideram as personagens, assim como, sentir o sofrimento e as vicissitudes de viver nas cidades retratadas - Varsóvia e Paris.
Finalmente, em minha opinião está justamente nomeado para melhor realizador e melhor filme estrangeiro, e foi injustamente esquecida a nomeação para melhor filme.
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